A Pegada Ecológica é um indicador de sustentabilidade que avalia a pressão do consumo das populações sobre os recursos naturais, a nível individual ou populacional, sendo usado em vários países e cidades. O método não é considerado preciso, mas uma estimativa que expressa o consumo dos recursos naturais e capacidade do planeta de renovação dos mesmos. A unidade de medida consiste no hectare global (gha), correspondente ao hectare de produtividade média mundial para terra e águas produtivas em um ano, possibilitando a comparação de diferentes padrões de consumo e a verificação destes dentro da capacidade ecológica do planeta. A Pegada Ecológica de um país, estado, cidade ou pessoa, corresponde, portanto ao tamanho de áreas produtíveis necessárias para sustentar determinado estilo de vida.
A biocapacidade, conceito intimamente ligado a Pegada Ecológica, refere-se à capacidade dos ecossistemas de produzir materiais biológicos úteis necessários para absorver os resíduos gerados pelo ser humano, utilizando as atuais metodologias de gestão e tecnologias de extração.
Abrange, dentro desta ótica:
- Terras cultiváveis para a produção de alimentos, fibras, biocombustíveis;
- Pastagens para produtos de origem animal, como carne, leite, couro e lã;
- Áreas de pesca costeiras e continentais;
- Florestas, que tanto fornecem madeira como podem absorver CO2;
- Áreas urbanizadas, que ocupam solos agrícolas;
- Hidroeletricidade, que ocupam áreas com seus reservatórios.
A biocapacidade disponível para cada ser humano é de 1,8 hectare global. A fórmula básica para o cálculo é:
Alguns dados relacionados nos ajudam a compreender a situação atual da humanidade:
- A Pegada Ecológica Mundial é de 2,7 hectares globais. Déficit ecológico de 0,9 gha.
- A humanidade consome 1,5 planetas.
- A Pegada Ecológica Brasileira é de 2,9 hectares globais. Déficit ecológico de 1,1 gha.
- Os brasileiros consomem 1,6 planetas.
A fórmula acima permite encontrar o Número de Planetas Consumidos apenas informando a Pegada Ecológica. Com isso é possível chegar nos dados informados e ver o quão grave é a situação atual do planeta, pois quando se fala que a humanidade consome 1,5 planetas, quer se dizer que esta está consumindo 50% a mais do que deveria, fazendo com que o planeta não consiga se recuperar do dano sofrido, fazendo assim com que sua biocapacidade não seja suficiente para normalizar os resíduos produzidos pelo ser humano. Para chegar a esta conclusão se percebe que existem muitos estudos que compõem a Pegada Ecológica que consistem em levantamentos de dados. As Classes de Consumo por exemplo, dão uma base de como se começa esses estudos e evidencia como identificar de maneira direta possíveis causas que agravam os danos causados ao planeta.
As Classes de Consumo consistem em setores que foram criados para indicar didaticamente as origens do consumo do objeto da cidade, estado ou país. Por outro lado, os recursos ecológicos existentes, também foram setorizados para facilitar a apreensão e são diretamente impactados pelas decisões de consumo, como pode-se verificar através do esquema abaixo:
Classes de Consumo:
- Alimentos - Corresponde aos itens de alimentação, bebidas alcoólicas e não alcoólicas consumidas dentro do domicílio;
- Moradia - Congrega as despesas com habitação, alugueis diretos pagos por domicílio, reparos ocasionais, manutenção do lar, climatização, eletricidade e combustíveis para o lar;
- Mobilidade - Refere-se, dentre outros itens, às despesas com transporte da população, aquisição de veículos, gastos com transporte coletivo e combustíveis;
- Bens - Corresponde ao consumo da população em abastecimento de água e outros serviços domésticos, serviços de saúde e hospitalares, postais, culturais e de comunicação, educação, cuidados pessoais, entre outros;
- Governo - Refere-se aos serviços prestados pelo poder público à população na esfera federal, estadual e municipal.
Sobre os Recursos Ecológicos, é importante ressaltar que possuem tamanho e capacidade de geração finita, mas que geram recursos regularmente. São eles:
- Energia e Absorção de CO² - Os resíduos gerados pela combustão dos combustíveis fosseis, como o CO² precisam ser absorvidos pelos ecossistemas para que haja manutenção da temperatura planetária. Assim, a utilização de combustíveis fósseis é medida de forma indireta, como resíduo que precisa ser processado. Para a Pegada, calcula-se a área de florestas preservadas necessária para o sequestro desses gases;
- Agricultura - Refere-se às áreas de solo agricultáveis demandadas pela população para a produção de alimentos de base vegetal, assim como bebidas fibras, óleos, entre outros;
- Pastagens - São áreas cobertas com vegetação natural cultivada, destinadas para alimentação de animais domesticados para a produção de carnes, laticínios, lã, gorduras e outros produtos de origem animal;
- Florestas - No contexto da Pegada Ecológica, são áreas cobertas com vegetação arbórea natural ou cultivada, destinadas à produção de fibras e madeiras para a utilização humana;
- Pesca - Refere-se às áreas marinhas ou fluviais para produção de pescados e outros organismos aquáticos para o consumo humano. Apesar de possuir estoque renovável, a capacidade de renovação é afetada pela captura em quantidade, sendo assim um recurso mensurável do planeta;
- Área Construída - Ocupam lugares onde antes havia áreas produtivas, e por isso afetam na biocapacidade planetária. Pelo padrão de urbanização e construção humana, áreas construídas surgem sobre solos agricultáveis, tendo assim seu fator de equivalência semelhante ao da agricultura.
Material retirado das pesquisas de Iniciação Científica:
- Eco urbanismo: Construindo indicadores de sustentabilidade do espaço urbano em relação ao uso do solo na cidade;
- Eco urbanismo: Construindo indicadores de sustentabilidade do espaço urbano em relação a mobilidade.
Pesquisadores: Marcos Jorge Borges e Luísa Mehlem



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